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terça-feira, maio 17, 2022
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Rede particular de saúde vive colapso em Goiás

Presidente de associação de hospitais privados de Goiás diz que há 10 dias não há mais vagas em UTIs das unidades filiadas e que momento não permite relaxar restrições.

O presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou, declarou nesta terça-feira (9) que a rede particular já está em colapso há 10 dias nos leitos de UTI para Covid-19 e que há pacientes aguardando vagas internados em prontos-socorros e centros cirúrgicos. Entretanto, com a ameaça iminente de falta de oxigênio e o avanço dos casos de contaminados, a tendência é que o pior momento esteja por vir nos próximos 10 ou 14 dias. A afirmação do presidente se baseia, diz ele, em fala de pesquisadores durante reunião do Centro de Operações de Emergências (COE). “A borda transbordou, o copo está vazando. E você não tem mais onde colocar.”

Helou apresentou ao POPULAR uma lista de medicamentos e equipamentos que já estão em falta nas UTIs (veja quadro), o que, por enquanto, exige mudanças na rotina hospitalar, mas que, diante de um contexto que só se agrava, pode comprometer os pacientes no futuro. “O consumo tá só aumentando e a produção não acompanha. De coisas simples às mais complexas. Algumas são intermitentes, outras são novidade. Oxigênio, se você me perguntasse eu diria que nunca imaginaria que iria faltar oxigênio. Nós temos grandes indústrias aqui do lado, não imaginava. Dipirona! Relaxante muscular, que foi um problema no passado e está sendo um problema grave agora.”

A segunda onda da epidemia da Covid-19 em Goiás está bem pior que a primeira, na opinião de Helou, por três fatores: a velocidade do contágio, a gravidade no quadro clínico dos pacientes e o perfil destes. “Houve uma diferença muito grande da primeira onda para a segunda. Primeiro nunca ficamos na primeira onda de uma forma contínua, com pacientes entubados no respirador no pronto-socorro. Paciente entubado no centro cirúrgico.”

Ele garante que o número de vagas ofertadas na UTI pela rede de filiados da Ahpaceg, hoje, é o mesmo da primeira onda, quando conseguiram deixar exclusivos 191 leitos adultos e 15 pediátricos. Mas como os pacientes passam mais tempo internados, o quadro é mais grave. “Agora é um paciente jovem, que tem uma reserva física grande, ele não morre ou sara rapidamente, o tempo de permanência aumentou e muito, e implica que o leito fica mais tempo ocupado”, explicou.

O presidente da Ahpaceg é pessimista quanto a uma melhora na situação e diz que não é o momento para relaxar nas medidas restritivas adotadas pelas prefeituras. Segundo ele, as pessoas continuam com o mesmo comportamento que levou a esta alta taxa de ocupação dos leitos de UTI e estamos começando a sofrer o reflexo das atitudes adotadas pela população e pelas autoridades no carnaval e no período de férias. “Eu não vejo perspectiva de melhora em curto prazo. Teria de ou aumentar a produção ou diminuir o consumo. Não vejo estas coisas acontecendo com tanta facilidade.”

Ele também se manifestou sobre as reclamações de empresários goianos que pedem pela reabertura de atividades econômicas fechadas pelo poder público, alegando eles que há como reabrir o comércio com segurança. Helou é taxativo: “quando você não tem leito, você não tem lugar seguro.”

Para ilustrar a gravidade da situação, Helou contou que na segunda-feira (8) um hospital precisou colocar seguranças na entrada porque havia pessoas tentando invadir a unidade aflitas por não haver como internar. “Quem chega ao hospital não quer saber de política pública, se você tem acesso ou não a medicamentos, se você avisou o COE, a pessoa quer atendimento. Como é que você diz que não tem capacidade? Ela chuta a porta.”

Após contar o caso, Helou desabafou: “Você não invade o hospital para ser atendido. Nós estamos além da capacidade. É um cenário que nem em pesadelo, já fui plantonista muitos anos em hospital público, nunca vi isso em hospital público. É um filme de terror, com muito medo, angústia, solidão. Nesta hora você fica cansado e as pessoas continuam não ouvindo (em referência a quem não está seguindo os protocolos de segurança e prevenção contra o coronavírus).”

O presidente da Ahpaceg diz que o grupo formado por hospitais na capital e em cidades do interior chegou a se mobilizar na segunda-feira para conseguir relaxante muscular para um hospital que não era membro da associação e que precisava entubar um paciente com urgência. “O receio é que isso se torne uma constante. Já tivemos dois ou três relatos em dias anteriores de hospital pedindo, só que esse é o primeiro que ajudamos que é de fora (da Ahpaceg).”

Helou se recorda de uma vez ainda na primeira onda quando alertou o governo estadual para um colapso na rede particular. Na época, ele voltou atrás no dia seguinte, causando ruídos entre os hospitais particulares e a rede pública. Segundo ele, isso se deu porque naquela época a epidemia tinha picos de maior gravidade. Agora, ela é permanentemente grave. “Lembro quando na primeira onda eu liguei para o governador e falei que chegamos ao colapso e aí dois dias depois a situação melhorou e eu fiquei com cara de tacho, mas naquele dia que eu liguei tinha realmente colapsado. Agora não tem mais isso.”

Alguns hospitais filiados à Ahpaceg também teriam reclamado nesta semana da perda de profissionais para a rede pública, por causa das contratações em andamento para os leitos abertos pela Prefeitura de Goiânia. Esta situação reforça outro problema citado por Helou, a falta de profissionais suficientes para suprir o aumento do número de leitos. “Isso é um problema intermitente, toda vez que abre um grande hospital público. Mas o que nos faz sentir mais é que não temos mais reserva. Ontem, vários hospitais vieram reclamar, é algo que não é inédito, mas no momento é mais uma pedra pra te puxar pra baixo.”

Fonte: O Popular

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