Questionado por senadores, ex-presidente da Vale admite falhas na análise de riscos

A falta de respostas concretas levou o ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, a ser duramente criticado na comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga as causas do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Em audiência da CPI nesta quinta-feira (28), Schvartsman alegou que, por estar afastado da presidência da empresa, não poderia detalhar todas as informações pedidas pelos senadores.

Questionado pelo relator da CPI, o senador Carlos Viana (PSD-MG), se as outras barragens da Vale são seguras e se o que ocorreu em Brumadinho teria sido realmente um acidente, Schvartsman respondeu que as leituras sobre o problema não teriam sido levadas a sério. O executivo declarou que somente ao final da investigação se saberá as reais causas do rompimento.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) exigiu objetividade das respostas de Schvartsman e apontou negligência da Vale. Segundo ele, não houve eventos naturais, como abalos sísmicos ou furacões, que justificassem a tragédia em Brumadinho.

— Nós temos visto divagações para que ou o senhor não assuma sua responsabilidade, ou a terceirize, ou não a terceirize para ninguém.

Magistrada federal, a senadora Juíza Selma (PSL-MT) criticou o que chamou de “atitude omissiva” de Fábio Schvartsman. Ela informou que o posicionamento do executivo não o absolverá, nem evitará uma possível condenação por homicídio culposo. E destacou que Schvartsman teria a obrigação de conhecer os riscos da barragem de Brumadinho, por ter sido presidente da mineradora.

— Essa omissão é típica e vai lhe levar por um caminho muito perigoso. Faça suas declarações ciente de que está cavando a própria cova.

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) criticou a “frieza”de Schvartsman e classificou-o como um “presidente decorativo”. Ao declarar que a Vale só visa ao lucro, o senador disse que a tragédia em Brumadinho é um crime e que a mineradora age como “uma empresa assassina”.

— A sua empresa e o senhor parecem ter nascido no Polo Norte, de tão glaciais que são por natureza. O senhor está se confessando porque, se ninguém é culpado, o único que se apresenta é o senhor e, se eu fosse da Justiça, eu lhe prenderia.

Ao se defender, Fábio Schvartsman voltou a dizer que não sabe o que ocasionou o desastre. Declarou, no entanto, que determinou a celeridade no pagamento das indenizações às vítimas quando ainda era presidente da Vale e afirmou que as investigações vão definir as responsabilidades sobre a tragédia.

Agência Senado

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