Mais de um PM atirou em sequestrador na Ponte; fuzis de precisão foram usados

Posicionado a pelo menos 80 metros do alvo, um policial do Bope, de balaclava, usou um fuzil de precisão AR-10, de fabricação americana, para pôr fim ao sequestro. A primeira informações da PM foi que esse agente, que estava camuflado sob uma manta vermelha, em cima do caminhão do Corpo de Bombeiros, foi o autor dos seis disparos que atingiram o sequestrador. Os snipers são conhecidos atiradores de elite, que têm aproveitamento de 100% dos disparos.

Assim que o sequestrador Willian Augusto da Silva despencou ao ser abatido pelos tiros — dois o atingiram no tórax, dois no braço esquerdo, um na perna esquerda e um no antebraço direito —, esse PM em cima do caminhão fez sinal de positivo, parecendo vibrar com o resultado.

Vestido de uniforme camuflado, ele não estava com o rosto coberto à toa. Por medida de segurança, um atirador de elite nunca pode ser identificado. Ele, que era o sniper mais bem posicionado, tinha 12 anos de corporação. À noite, a PM informou que mais de um policial atirou, sem precisar quantos. Na cena do crime, havia pelo menos três snipers do Bope. Mas, na Delegacia de Homicídios de Niterói, ao prestar depoimento, o sniper que estava em cima do caminhão afirmou que só ele havia feito disparos durante o sequestro.

PM mira em sequestrador antes de disparo
PM mira em sequestrador antes de disparo Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Para fazer parte da Unidade de Intervenções Táticas do Bope, o policial precisa ter, no mínimo, 10 anos de experiência operacional e reunir habilidades técnicas, especialmente de tiros de arma longas — as únicas usadas nesse tipo de operação. Eles também passam por reciclagem constante e treinam, em média, quatro horas por dia para adquirir perícia suficiente que os torne capazes de atingir objetos bem pequenos como uma moeda, a distâncias superiores a 100 metros. Até a respiração é treinada.

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— Ele (o sniper) está em constante treinamento. Tiros de arma longa, a grandes distâncias, com diversos tipos de obstáculos — explica o fundador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) de São Paulo, coronel Wanderley Mascarenhas. — O trabalho psicológico e as técnicas de respiração também são muito importantes, porque ele não pode ficar nervoso, ofegante. A respiração desnivelada pode provocar o erro no disparo.

A decisão de atirar, que terminou com o sequestro, foi motivada pelo receio de que o sequestrador ateasse fogo ao ônibus. Mesmo baleado, seria possível causar com uma simples fagulha um grande incêndio porque havia gasolina espalhada por todo o veículo. No ônibus, havia vários reféns.

O sequestrador foi identificado como Willian Augusto da Silva, de 20 anos
O sequestrador foi identificado como Willian Augusto da Silva, de 20 anos Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O armamento, que chamou a atenção, é uma aquisição relativamente recente. O AR-10 é a mais precisa arma usada no momento pela Polícia Militar do Rio. Ela pode ser manuseada por agentes do Bope e dos batalhões de Choque e de Ação com Cães. Equipada com uma luneta e um bipé para sustentação, a arma foi adquirida em 2014 para substituir os fuzis modelo ParaFal, de produção nacional, que eram utilizados pelas tropas especiais. Fora do Brasil, o armamento também é usado pelos Seals da Marinha americana.

Ontem à tarde, o comandante do Bope, tenente-coronel Maurílio Nunes, disse que o resultado da ação mostra que a unidade “está no caminho certo”.

— Lutamos para salvar vidas, para resguardar a vida da sociedade. Independente se são 39 vítimas ou uma… Uma vida não tem preço, e o Bope sempre vai estar em condições de salvar e resguardar vidas. Não foi 100% porque não era o final que nós gostaríamos, mas foi 99% de sucesso.

Fonte:
https://extra.globo.com/casos-de-policia/mais-de-um-pm-atirou-em-sequestrador-na-ponte-fuzis-de-precisao-foram-usados-23891636.html

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