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sexta-feira, agosto 19, 2022
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Mais de 100 municípios de Goiás esperam vagas de UTI para pacientes com Covid-19

Algumas cidades se destacam por ter mais pessoas em estado grave na fila, como é o caso de Inhumas, onde há quem chegue a esperar mais de uma semana por uma vaga

A fila por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) atinge todas as regiões de Goiás. Nos dias 8 e 15 de março, mais de 100 municípios do Estado tinham pelo menos um paciente com confirmação ou suspeita de coronavírus na fila por UTI. Em todo o Estado eram 365 pessoas à espera de UTI, na manhã desta sexta-feira (19). Algumas cidades se destacam por ter mais pessoas na fila, como é o caso de Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia (RMG), onde pacientes chegam a esperar mais de uma semana por uma vaga.

Todas as 18 regiões de Saúde de Goiás tinham pessoas na fila por leito de UTI Covid-19, nesses dias 8 e 15 de março. A reportagem identificou seis cidades que estavam entre as cinco com mais pacientes na fila de UTI tanto no dia 8, como no dia 15. São elas Ceres, Inhumas, Goiânia, Caldas Novas, Trindade e Senador Canedo. (Veja o quadro). A reportagem teve acesso à lista de espera por município referentes a essas datas, após pedido para a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).

Em Inhumas a situação é de colapso, com pacientes com coronavírus sendo atendidos em salas de exames e até corredores, por falta de vagas. A ocupação dos leitos da cidade chegou a passar de 140% e a quantidade de pacientes na fila por UTI chegou a 20, durante a semana.

Pacientes como a dona de casa Divina Aparecida de Sousa, de 58 anos, aguarda mais de uma semana por uma vaga de UTI. Ela está há 11 dias na fila pelo leito. Foi diagnosticada com Covid-19 e está entubada no Hospital Municipal de Inhumas. “O estado dela é gravíssimo. A cada minuto que passa a gente fica mais apreensivo e sem saber o que fazer”, desabafa o filho de Divina, Rafael Vinicios de Oliveira, em vídeo divulgado nas redes sociais.

A SES-GO diz que nenhuma das pessoas na fila por UTI está sem atendimento, pois recebem assistência em leitos que não são exclusivos para coronavírus nas unidades de origem do pedido. No entanto, a defensora pública Michelle Bitta, titular da 2ª Defensoria Pública Especializada de Saúde de Goiás, questiona essa assistência fora da UTI. “Por mais que a equipe da UPA e Cais se esforce, eles não tem aparelhagem necessária para tratamento o adequado”, afirma.

Senador Canedo

A secretária municipal de Saúde de Senador Canedo, Fabiana Lopes, conta que houve um aumento da espera por leito de UTI, principalmente nas últimas duas semanas. Mesmo a cidade tendo 21 vagas de UTI, havia 15 aguardando na fila da rede estadual, hospitalizados em unidades de semi-UTI.

Esse aumento de pacientes graves com Covid-19 tem refletido no consumo de medicamentos e oxigênio. “Algumas coisas a gente está tendo que correr atrás o tempo inteiro. Gastava 60 cilindros de oxigênio a cada 10 dias. Hoje gasta 60 a cada 12 horas”, relata a secretária.

Para dar conta da demanda, o município tem feito duas viagens de caminhão diárias, para buscar oxigênio na distribuidora. No último final de semana, a cidade chegou a ficar com todos os seus 90 leitos para pacientes com coronavírus lotados e foi necessário acionar um dos quatro leitos de retaguarda.

“Não chegou em nenhum momento que paciente chegou e não tinha leito para atender, mas a gente teme que em algum momento não consiga de fato (atender)”, alerta Fabiana. Uma das medidas da prefeitura no combate à Covid-19 será a distribuição de oxímetros para que os doentes com sintomas mais leves sejam monitorados em casa.

Goiânia, Ceres e Trindade têm mais de 10 na fila de UTI

Cidade mais populosa do Estado, a capital Goiânia tem uma fila própria de UTI da rede municipal, mas ainda assim há pedidos de vaga na rede estadual. São pacientes que estão na rede privada pedindo transferência para a rede pública e também pacientes de hospitais estaduais de Goiânia, que precisam ser transferidos para UTIs de outras unidades estaduais. 

Ceres, apesar de ter pouco mais de 20 mil habitantes, era o terceiro município de Goiás com mais pacientes na fila de UTI no último dia 8, com 15 à espera de vaga. Na época, a secretária municipal de Saúde da cidade, Marjuery Seabra, explicou que a cidade é referência na região e recebe pacientes de outras 20 cidades. 

Em Trindade havia 14 pacientes com coronavírus à espera de UTI nesta sexta. Segundo a Prefeitura, apenas um deles estavam entubado. A cidade inaugurou 22 leitos de semi-UTI neste ano, que é onde ficam esses pacientes que estão na fila. Havia 8 vagas disponíveis dessas semi-UTIs na sexta.

Aumenta número de mortes fora da UTI

Goiás vem registrando um aumento de mortes de pacientes com coronavírus fora de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Na primeira semana de março foram 120 casos, maior número em um período de 7 dias no ano de 2021. São doentes que estavam hospitalizados em enfermaria ou apartamento ou unidade de observação e estabilização. 

Dos 8.698 óbitos com registro de internação até o dia 6 de março, 2.880 estavam nessa categoria de morte de pessoas internadas fora da UTI, o que representa 33% do total. Os dados são de boletins epidemiológicos coronavírus semanais da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). Este foi o caso da aposentada Virgilina Alves Mateus, de 85 anos, que morreu no último sábado no Hospital Municipal de Caldas Novas, depois de esperar cinco dias por uma vaga de UTI. Ela sofria de Alzheimer há 10 anos e nos últimos dois teve uma piora, perdendo completamente a memória. 

Virgilina deu entrada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Caldas no dia 26 de fevereiro com pneumonia. No dia 8 foi diagnosticada com coronavírus, quando foi solicitada a UTI. Ela também precisou fazer um procedimento de raspagem devido a uma úlcera. Faleceu no dia 13, antes de conseguir a vaga.

O neto, João Gabriel da Fonseca, desabafou nas redes sociais: “Seria muito egoísmo de nossa parte, aqui, saudáveis e conscientes, que a senhora ficasse, forçasse, lutasse mais, mas sem ao mesmo tempo estar, esperando por leito de UTI, dependendo desse mundo covarde, com esse vírus maldito e no último grau do Alzheimer e suas complicações. Não deu mais. Mas não precisava sofrer tanto. A velhice denuncia o fracasso de toda a nossa sociedade.”

Fora da internação

Outro tipo de caso que aumentou no Estado são das mortes de pessoas com Covid-19 que não estavam internadas. Dos óbitos confirmados em Goiás até o dia 6 de março, 205 não possuem registro de internação, provavelmente ocorreram em domicílio, durante o transporte, antes da internação em hospitalar ou os dados referentes a internação não foram preenchidos na ficha de notificação. 

Fonte: O Popular

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