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sexta-feira, maio 20, 2022
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‘Estão descartando corpos, e não sepultando pessoas’, diz presidente de associação do setor funerário

RIO — O crescimento acelerado de mortes pela Covid-19 no país levou o presidente da Associação de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) a procurar as fabricantes de urnas de todo o país. Lourival Panhozzi pediu às principais empresas do setor que trabalhem com sua capacidade máxima, para evitar a falta de caixões para os sepultamentos. Segundo ele, o país tem um estoque de cerca de 100 mil urnas funerárias, mas serão necessárias outras cerca de 400 mil para absorver a estimativa de mortes crescente prevista para os próximos meses.

Nesta semana, Panhozzi encaminhou ao governo de São Paulo uma requisição para que o funcionamento das fábricas de urnas funerárias seja considerada atividade essencial. De acordo com a Abredif, o estado é responsável pela produção de 50 a 60% das urnas funerárias usadas no país. A entidade também enviou uma recomendação às funerárias para que suspendam as férias de seus funcionários por 60 dias.

Panhozzi diz querer evitar cenas como as que foram vistas em Manaus, no ano passado, com o enterro em valas comuns. Para isso, a associação lançará um portal em que cemitérios poderão cadastrar suas vagas e indicar a capacidade de sepultamento por hora. Corpos poderiam ser deslocados entre as instituições, sem a necessidade das valas comuns.

Ele lamenta que os velórios tenham sido suspensos e defende que, se organizados, poderiam ser feitos. “O que estamos fazendo hoje é indigno, com enterros em poucos minutos. Estão descartando corpos, e não sepultando pessoas.” 

O aumento expressivo no número de mortes já tem impacto nos cemitérios do país?

Sim, já estamos sentindo isso de forma generalizada. Algumas cidades mais, outras menos, mas todos sentimos. Nós tratamos de números absolutos de mortes, ou seja, não só Covid. No ano passado, o aumento de óbitos no Brasil foi na casa de 14%. Mesmo sem computar muitos óbitos que não foram ainda registrados, só em março de 2021, em comparação com o mesmo mês de 2020, já experimentamos um aumento na casa dos 30%. Para nós, é um aumento absurdo. Um aumento natural seria de no máximo 2% ao ano, ou seja, conforme cresce a população, cresce também o número de óbitos. Se estamos com 500 mil óbitos previstos no trimestre, são 5.555 óbitos por dia. A média normal era de 3.575 por dia, ou seja, estamos falando em 2.000 óbitos a mais por dia. É uma cidade média que desaparece por mês. É fora do padrão. Sem planejamento, não vamos suportar. Pedimos ao governo de São Paulo que inclua nas atividades essenciais as fábricas de urnas funerárias. Algumas cidades entram em lockdown, mas esses funcionários não podem parar. Se a fábrica de urna parar de produzir nesse momento, vamos ter dificuldades.

Fonte: O Globo

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