Diretores da PF ameaçam entregar cargos se diretor-geral for afastado

Após interferir na Superintendência do Rio, Bolsonaro afirmou na semana passada que poderia tirar Maurício Valeixo do cargo

BRASÍLIA — Os embates com o presidente Jair Bolsonaro e as derrotas no campo político são duas fontes de desgaste do ministro da Justiça, Sergio Moro , mas não são as únicas. Nos últimos dias delegados começaram a fazer, discretamente, críticas à atuação de Moro em relação à tentativa de Bolsonaro de emplacar o nome do futuro superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, nem que para isso tenha que demitir o diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo . Uma saída de Valeixo com um contexto político e sem justificativa razoável poderia gerar uma debandada em cargos-chaves da PF em solidariedade.

A insatisfação com Moro não se limita mais aos meios sindicais. Alguns delegados, até mesmo do alto escalão, se queixam do silêncio do ministro diante das declarações de Bolsonaro. Estes policiais esperavam que Moro fizesse uma defesa “enérgica” da PF ainda na semana passada, o que não aconteceu. Só na manhã desta terça-feira, cinco dias após a última ameaça de Bolsonaro de afastar o diretor-geral, é que Moro defendeu o “extraordinário trabalho” de Valeixo à frente da PF.

– Alguns policiais queriam que ele (Moro) fosse mais incisivo na defesa da PF – disse um delegado.

Um eventual afastamento de Valeixo por motivos políticos poderia levar outros diretores a deixar o cargo. Um deles chegou a dizer, em resposta a uma pergunta do GLOBO, que estaria na leva de demissionários. Os delegados entendem que é natural um presidente trocar um diretor da PF. Mas dizem que não poderiam aceitar uma mudança no comando da instituição sem uma boa explicação. Caso contrário, poderia parecer que, de fato, a polícia estaria sofrendo uma intervenção externa.

A Polícia Federal também reconhece a influência histórica de políticos na escolha de alguns cargos, sobretudo de superintendentes. Em geral, diretores procuram indicar para a chefia das superintendências delegados com bom trânsito com autoridades estaduais, sobretudo com governadores. Mas, em geral, a participação dos políticos vem sempre como uma sugestão, quase sempre em caráter reservado. Nunca como uma imposição como, supostamente,  Bolsonaro queria fazer.

Alguns delegados, no entanto, minimizam as tensões. Para eles, o presidente  abriu as baterias contra alguns cargos de comando na Polícia Federal, mas o alvo indireto dos ataques seria mesmo Moro. As últimas pesquisas de opinião mostram que as ações na área da segurança estão entre as mais bem avaliadas do governo federal e que Moro também continua com índices de aprovação melhores que de Bolsonaro.

Fonte:
https://oglobo.globo.com/brasil/insatisfacao-na-pf-chega-cupula-que-ameaca-deixar-cargos-se-diretor-geral-for-afastado-1-23909761

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