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Eduardo Bolsonaro confirma mudança de embaixada para Jerusalém

Postado por TVKajuru.com | 27/11/2018 às 08:31h

Em visita aos EUA, deputado diz que a ‘questão não é se, mas quando’; ele minimiza reação árabe, dizendo que Brasil poderá apoiar políticas 'para frear Irã'

 

WASHINGTON - O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, confirmou nesta terça-feira em Washington que a embaixada brasileira em Israel será transferida de Tel Aviv para Jerusalém. O tema é controvertido e foi objeto de idas e vindas de Jair Bolsonaro antes e depois das eleições. A decisão contraria resoluções da ONU segundo as quais o status final da cidade deve ser decidido em negociações com os palestinos.

 

— A questão não é perguntar se vai, a questão é perguntar quando será — afirmou Eduardo Bolsonaro quando questionado sobre o assunto.

 

O deputado se encontrou pela manhã com Jared Kushner, conselheiro-sênior da Casa Branca e genro de Donald Trump. O assunto foi tratado na reunião. Os Estados Unidos mudaram sua embaixada para Jerusalém em maio deste ano, numa decisão que despertou críticas internacionais e que até agora havia sido seguida apenas pela Guatemala. Os demais países com representação diplomática em Israel mantêm suas missões em Tel Aviv.

Eduardo Bolsonaro — que no fim de um evento sobre economia recebeu de dois brasileiros um boné do presidente Donald Trump com o lema "Faça a América grande de novo" e o vestiu — minimizou eventuais retaliações dos países árabes à transferência da embaixada em Israel. Disse que, se isso ocorrer, as empresas vão precisar se adaptar.

Os países árabes estão entre os maiores clientes do agronegócio brasileiro. Até setembro deste ano, o Brasil exportou US$ 13,4 bilhões para o bloco, com um superávit de US$ 2,98 bilhões.

Ao comentar as possíveis consequências da transferência da embaixada, o deputado também mencionou a disputa entre o Irã, país persa de maioria xiita, e países árabes em que a maioria da população pertence à vertente sunita do Islã, em especial a Arábia Saudita,  forte aliada de Washington.

— Olha, todo mundo conhece Jair Bolsonaro, ele falou bastante isso na campanha. Se isso pode interferir alguma coisa no comércio, a gente tem que ter alguma maneira de tentar suprir caso venha a ocorrer esse tipo de retaliação. E eu acredito que a política no Oriente Médio já mudou bastante também. A maioria ali é sunita. E eles veem com grande perigo o Irã. Quem sabe apoiando políticas para frear o Irã, que quer dominar aquela região, a gente não consiga um apoio desses países árabes — disse.

Na declaração sobre o Irã, Eduardo Bolsonaro mais uma vez seguiu a linha preconizada pela Casa Branca de Donald Trump, que busca isolar o país persa, em uma política que tem apoio dos sauditas e israelenses. Em maio passado, Washington deixou o acordo nuclear com o Teerã assinado por Barack Obama em 2015, apesar das críticas dos outros signatários — França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China. Com isso, retomou as sanções econômicas ao país.

O deputado, que está representando o futuro governo de seu pai em uma série de reuniões com autoridades americanas, também afirmou que não houve problemas com o Egito, que cancelou no início de novembro uma visita oficial que o atual chanceler, Aloysio Nunes, faria ao país. Um grupo de empresários brasileiros já estava no país para um fórum de investimentos, que foi adiado.


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