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A maternidade como ela é

Postado por TVKajuru.com | 27/11/2018 às 08:27h

Grupos terapêuticos, especialistas em pós-parto e eventos sociais ajudam mães a atravessar de forma mais prazerosa a fase turbulenta do início da maternidade

Crédito: Claudio Gatti

DESAFIO A doula e educadora perinatal Marianna Muradas com o filho Tom: tristeza e dor para amamentar (Crédito: Claudio Gatti)

Ao se tornarem mães as mulheres passam por um período de intensas transformações: sensibilidade à flor da pele, privação de sono, mudanças físicas e emocionais, falta de rotina, dores na amamentação e o desafio da solidão. A maternidade tão sonhada e idealizada revela seu “lado B” assim que nasce o bebê. O que deveria ser só felicidade é também fonte de dificuldades e transtornos. A boa notícia é que hoje existem diversas alternativas para trazer mais leveza a essa fase de tantas adaptações da mulher e da criança.

 

Tecnicamente, o pós-parto ou puerpério vai do nascimento até os 40 dias do recém-nascido, mas é possível considerar como pós-parto todo o período do aleitamento materno. Nessa fase, a prolactina, hormônio que estimula a produção de leite, causa uma leve e passageira depressão. A mulher fica mais chorosa, introspectiva, com a audição mais apurada e com toda sua libido (energia vital) voltada para o rebento. “Algumas têm um medo ilusório de que o bebê possa morrer de repente. Elas estão fragilizadas. O que quer que aconteça ganha uma dimensão muito maior nesse período”, diz a psicóloga e doula Daniela Andretto, da clínica Casa Moara, em São Paulo. E há um sentido para tanta sensibilidade e sensorialidade: garantir que a mãe entenda as necessidades do seu bebê, que mantenha a atenção focada nele e compreenda a sutileza de suas expressões. É que provoca o chamado baby blues ou tristeza materna, diferente de depressão pós-parto, que é uma doença. “Para cuidar bem do bebê, a mãe precisa se sentir compreendida e cuidada, nunca invadida ou julgada”, diz.

Vai passar

Não raro, a maternidade coloca as mulheres em contato com uma inédita sensação de impotência e descontrole. Tudo fica meio sombrio. “Uma coisa é a projeção e a idealização da maternidade, outra é dar de cara com a realidade de cuidar de outro ser humano. Conforme a mulher vai se adaptando à nova vida, conhecendo seu bebê, entendendo as mudanças em seu corpo e na relação com o parceiro, e aceitando que não vai resolver tudo sozinha, ela começa a relaxar”, diz a ginecologista e obstetra Betina Abs da Cruz, da clínica Caza da Vila, em São Paulo. Em geral as gestantes se preparam muito para o parto e pouco para os desafios do pós-parto. “É importante buscar orientação sobre o puerpério durante a gestação e reconhecer a hora de pedir ajuda antes de chegar no insuportável”, aconselha a médica. Grupos de gestantes conduzidos por médicos, terapeutas ou doulas oferecem informações de qualidade sobre o pós-parto para mães e pais.

A ex-executiva Luiza Tosta, 37 anos, deixou o mundo corporativo para ser mãe de Ester, 2 anos, e de Hanna, 5 meses. “No meu primeiro pós-parto sentia culpa por não estar produzindo. Busquei atividades para mães e bebês perto de casa. Saía cansada mesmo e me sentia acolhida pelas outras mães. Compartilhávamos informações e conselhos. Hoje participo de um grupo no WhatsApp com 80 mães só para trocar dicas de atividades com o bebê”. Com a filha no sling (facilitador de colo), Luiza vai a museus, parques e atividades para bebês, como a dança materna. “Comecei quando a mais velha completou 40 dias. É uma atividade lúdica que fortalece o afeto com o bebê e o autocuidado. Percebemos que os medos, transtornos, cansaços e choros acontecem com todas.” Também existem grupos de pós-parto que auxiliam na introdução alimentar e no sono do bebê.

Muitas vezes a maternidade coloca as mulheres com uma inédita sensação de impotência e descontrole. De uma hora para outra, tudo fica meio sombrio

Marianna Muradas, 30 anos, é doula e educadora perinatal. Seu primeiro filho, Tom, de 2 meses, nasceu tranquilamente em casa em apenas duas horas de trabalho de parto sem anestesia e quase sem dor com ajuda da hipnose através do aplicativo GentleBirth. O que Marianna não imaginava era que o pós-parto seria tão difícil. “Senti muita dor para amamentar no primeiro mês e ainda sinto um pouco. Olhar aquele bebezinho frágil e tão dependente de mim me apavorava. O discurso dos familiares era muito pesado: ‘É assim mesmo, aguenta aí’. Procuro ajuda de amigas no pós-parto e no grupo de WhatsApp Luz da Madrugada, onde converso com outras mães enquanto amamento na calada da noite”. Para as outras mães no puerpério, ela recomenda o mantra “Vai passar”.


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