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Dividido para Brasil x Sérvia, Petkovic lamenta não ter jogado Copas: ?Melhor perguntar para os responsáveis?

Postado por TVKajuru.com | 27/06/2018 às 11:17h

Difícil imaginar um personagem com o coração mais dividido na tarde desta quarta-feira do que Dejan Petkovic. Apaixonado pelo Brasil, país que o acolheu e onde se sente em casa, mas sem nunca abandonar as raízes sérvias — ao contrário: o ex-jogador volta e meia transparece uma verve nacionalista —, Pet evita revelar diretamente para quem torcerá na última rodada do Grupo E. O desfecho ideal, claro, seria uma classificação mútua, possível apenas em caso de empate ou vitória da Sérvia, desde que a Costa Rica alcance um improvável triunfo diante da Suíça (ainda assim, a definição das vagas dependeria do saldo de gols).

— A Sérvia se complicou com a derrota para os suíços — lamenta, referindo-se ao revés de virada, com direito a pênalti não marcado e muita reclamação de Petkovic na bancada do “Seleção Sportv”: — Há grandes chances de que a Sérvia não continue. Mas futebol é futebol, a bola é redonda, e pode acontecer qualquer coisa.

Estreando como comentarista na atração do canal por assinatura, em desempenho que vem rendendo elogios, Pet comemora a oportunidade de, aposentado dos gramados, poder experimentar, enfim, o cotidiano de um Mundial — “estou vivendo e respirando Copa pela primeira vez”, diz. Poderia ter sido diferente, porém, pois talento não faltava.

Nos anos anteriores ao Mundial de 98, depois de ser contratado pelo Real Madrid, desentendeu-se com o então técnico da Ioguslávia, Slobodan Santrac, e não participou sequer das Eliminatórias. Em 2006, apesar do clamor em seu país-natal (chamado, na ocasião, de Sérvia e Montenegro), o treinador Ilija Petkovic, com quem não tinha qualquer parentesco, também deixou-o de fora, optando por convocar o próprio filho. A expectativa voltou em 2010, ano seguinte à espetacular arrancada do Flamengo comandada por Pet rumo ao título brasileiro. Aos 37 anos, ele mesmo tratou a convocação pela Sérvia (já sem Montenegro) como improvável. A descrença, para o azar das Copas, confirmou-se.

— Não tenho nenhum sentimento de frustração ou culpa. Acho que merecia, mas porque não fui chamado é melhor perguntar para os responsáveis pela convocação. Gostaria de ter jogado a Copa do Mundo defendendo o meu país, mas não aconteceu. E é isso — conforma-se Pet, tocando a bola adiante com classe, tal qual fazia nos campos.

Antes de virar comentarista, o sérvio ocupou outras funções relacionadas ao esporte fora das quatro linhas. Por alguns meses, no ano passado, chegou a acumular dois cargos no Vitória, primeiro clube que — ainda no fim da década de 90 — defendeu no Brasil: técnico e gerente de futebol. Depois, ainda na equipe baiana, foi também diretor de futebol por um curto período. A carreira nos bastidores não deslanchou até o momento, mas afastar-se do mundo da bola não passa pela cabeça de Petkovic.

— Gosto do futebol, sou do futebol, o futebol me deu tudo. Me tornou um bom pai de família, um cidadão. O esporte me ensinou tanta coisa, então eu contribuo no futebol por isso. Decidi me profissionalizar por isso, busquei aprender e me aperfeiçoar por isso, tirei a licença de treinador, de gestão e de diretor de futebol por isso. Ser comentarista é uma oportunidade nova, e acho que estou me saindo bem. Isso só mostra a minha capacidade versátil — afirma Pet, lembrando, dessa vez, a ligeira marra dos tempos de jogador.

Petkovic estreou como comentarista no ?Sportv?
Petkovic estreou como comentarista no “Sportv” Foto: Andre Valentim/Divulgação

 

VEJA, ABAIXO, OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA DE PETKOVIC, CONCEDIDA DIRETAMENTE DA RÚSSIA

Sobre os belos gols de falta marcados na Copa do Mundo da Rússia:

“Foram vários muito bonitos e estão todos aprovados por mim, claro. Tanto o gol russo, do Golovin, quanto o do Cristiano Ronaldo, o do Toni Kroos... São golaços, estão realmente de parabéns. Estão chutando bem!”

Sobre as seleções que se destacaram no Mundial até agora:

“Destaco bastante a Bélgica e a Inglaterra, dois times que estão fazendo um futebol bem jogado. Vimos também um excelente jogo entre Portugal e Espanha. E tem também o México, que apresentou um futebol bem forte contra a Alemanha, surpreendeu. Já a Alemanha foi bem no segundo jogo, conseguiu buscar a vitória no final, enquanto os russos representaram uma grande surpresa. Harry Kane, Lukaku, Cristiano Ronaldo e Cheryshev são os jogadores que realmente estão se destacando.”

Sentimento por ser o europeu com trajetória mais sólida no futebol brasileiro:

“É um privilégio muito grande, um orgulho ter podido fazer essa história no Brasil, no país do futebol. Ter jogado em times grandes, conquistado títulos, troféus, reconhecimento, homenagens... Acho que ser reconhecido como um dos melhores estrangeiros da história do futebol brasileiro é muito importante. Me orgulho do trabalho, mas acho que não conseguiria ter alcançado tudo isso se não tivesse muita semelhança entre os povos sérvio e brasileiro, se não tivesse sido muito bem recebido aqui. Ser feliz no lado particular te dá maiores chances de render no lado profissional também, e foi isso que aconteceu. Eu tinha o talento, mas não é fácil jogar no Brasil e ser destaque no país que tem o melhor futebol do mundo.”

Sobre o fato de poucos europeus alcançarem sucesso no Brasil:

“O europeu vir para o futebol brasileiro é o caminho contrário, até pode acontecer, mas talvez mais experiente, no fim da carreira. Quando eu decidi vir para o Brasil, era para cumprir um desafio, jogar bem aqui e voltar para a Europa. Gostei, e depois voltei de novo para cá. É difícil, você tem que ter mentalidade semelhante, e acho que Brasil e Sérvia são parecidos. A personalidade do povo sérvio é ser mais persistente, ser cabeça dura, e acho que isso me ajudou também.”

Sobre os poemas declamados no “Seleção Sportv”, que já viraram marca registrada:

“Veio de repente, era uma brincadeira, e o pessoal começou a pedir para fazer outro e outro. Agora, praticamente todo dia tem uma nova poesia. Talvez minha filha tenha puxado isso também, porque ela é cantora, escritora e compositora, e sempre me perguntei como ela fazia tudo isso. Eu brincava com ela falando que tinha herdado isso de mim e ela falava que eu não cantava nada. Agora, escrevendo, acho que eu tinha alguma coisa escondida no fundo do coração, que passou a ser explorada.”


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