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Polícia suspeita que dono de helicóptero apreendido usado por facção esteja envolvido na morte de Gegê do Mangue

Postado por TVKajuru.com | 26/04/2018 às 03:07h

Aeronave usada para transportar drogas foi apreendida nesta quarta (25) em hangar do Arujá. Helicóptero está em nome de comerciante da Zona Leste que deve ter sido usado como "laranja".

 

Polícia Civil suspeita que o verdadeiro dono do helicóptero apreendido nesta quarta-feira (25) em um hangar do Arujá e que era utilizado por uma facção criminosa para o transporte de drogas tenha envolvimento com a morte do traficante Gegê do Mangue.

O delegado Aldo Galeano, titular da Seccional de São Bernardo do Campo, diz que suspeita que o dono da aeronave seja Felipe Ramos Moraes, que transportou o Gegê do Mangue para o local da execução no Nordeste. "Ele [Felipe] começou como piloto, hoje ele praticamente cuida das rotas e cuida da parte financeira do PCC. A financeira sofisticada porque entre apreensões nós temos de 10 a 15 milhões de bens do PCC, tudo legalizado. É um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro", afirmou.

"Esse Felipe a gente pode ver a ligação dele com o PCC porque ele quem conseguia arrastar o Gegê do Manguepara uma emboscada no Nordeste, então tinha uma intimidade, uma pessoa de alta hierarquia no PCC, e acabou crescendo dentro do PCC, de piloto acabou virando o coordenador de rotas. Ontem tinha mais dois pilotos que foram presos que iriam apreender a rota para o Paraguai e para a cidade de Paranaíba de Mato Grosso do Sul", declarou o delegado Galeano.

O nome de Fabio Pinheiro de Andrade Alvani aparece como dono do helicóptero no registro da ANAC (Agência Nacional de Avião Civil). De acordo com a polícia, o proprietário pode ter sido usado como “laranja” já que possui rendimentos suficientes para comprar uma aeronave, estimada em cerca de US$ 1 milhão. Três pilotos da aeronave foram presos.

A polícia irá investigar quando ocorreu a transferência do helicóptero para o nome do comerciante. Também será pedida a quebra do sigilo telefônico de cinco celulares: três aparelhos apreendidos com os três pilotos presos e outros dois números que foram citados pelos pilotos que seriam dos responsáveis pelo pagamento do transporte dos entorpecentes.

De acordo com a polícia, a aeronave estava preparada para o transporte de drogas em um hangar na cidade de Arujá, na Grande São Paulo.

 

Aeronave em manutenção

 

Segundo Aldo Galiano, delegado Seccional de São Bernardo do Campo, a aeronave com prefixo PP-MAU foi apreendida quando estava em oficina de manutenção. "A gente estava monitorando as oficinas. Vamos investigar a lavagem de dinheiro. Os criminosos abriam contas em nomes de outras pessoas, compravam bens com dinheiro do crime."

 

A apreensão ocorreu dentro de uma escola de pilotagem. Os três homens presos foram levados para a sede da Dise de São Bernardo do Campo. Não foi apreendida droga ou arma no local.

"Eles tiraram os bancos traseiros do helicóptero e instalaram duas bombas elétricas ligadas ao tanque da aeronave para aumentar a autonomia de voo. Isso é típico de aeronave usada para o tráfico", disse Galiano.

Segundo a Dise, exame preliminar feito por peritos no helicóptero comprova que há vestígios de cocaína em "toda a aeronave" e, por essa razão, os presos devem ser indiciados por associação ao tráfico de drogas e organização criminosa.

Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de São Bernardo do Campo, José Eduardo Jorge, três pilotos foram presos. Inicialmente, a Polícia Civil havia informado que quatro pessoas tinham sido detidas.

Dentre os presos, está o piloto Rogério Almeida Antunes, preso também em 2013, no Espírito Santo, com mais de 400 kg de cocaína em um helicóptero da empresa do então deputado estadual de Minas Gerais Gustavo Perrela (SD). Na época, cinco pessoas foram condenadas por tráfico de drogas. A Polícia Federal concluiu que Perrella não tinha ligação com a droga.

Além de Rogério Almeida Antunes, também foram presos Luis Paulo Mattar Pereira e Leonardo Almeida Antunes. Os três pilotos foram levados na manhã desta quinta (26) para uma audiência de custódia onde será definido se eles permanecem presos ou serão liberados.

 
Helicóptero de facção criminosa é apreendido pela polícia em Arujá (Foto: Divulgação/Polícia Civil) Helicóptero de facção criminosa é apreendido pela polícia em Arujá (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
 

Helicóptero de facção criminosa é apreendido pela polícia em Arujá (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

 

56 horas de voo sem comunicados à Aeronáutica

 

O delegado titular da Dise contou que o helicóptero vinha sendo investigado desde janeiro deste ano por suspeita de uso para o transporte de drogas. Foram achados vários vestígios de cocaína no interior da aeronave. Segundo a polícia, o helicóptero voou mais de 56 horas sem plano de voo, ou seja, sem que a Aeronáutica fosse avisada, o que para a polícia indica envolvimento com atividade ilícita.

O delegado também contou que o helicóptero, que foi levado para o hangar da Polícia Civil, está com marcas na parte dianteira que indicam que ele vinha voando baixo, "rente ao solo, a cento e poucos metros do solo", para evitar que fosse localizado por radares.

A polícia acredita que a aeronave deixaria a capital paulista em direção a Americana, no interior do estado, para depois seguir para Paranaíba, cidade do Mato Grosso do Sul na divisa com São Paulo, ou para Santa Catarina.


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