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Países seguem Arábia Saudita e cortam relações diplomáticas com Irã

Postado por TVKajuru.com | 04/01/2016 às 03:33h

Sudão e Bahrein romperam com o país e Emirados convocaram embaixador. 
Arábia Saudita rompeu com Irã após ataque a representações diplomáticas.

 

O Sudão e o Bahrein anunciaram nesta segunda-feira (4) o corte das relações diplomáticas com o Irã. Os países seguiram a Arábia Saudita, que rompeu com o Irã após representações diplomáticas em Teerã e em Mashhad terem sido alvos de ataques.

Os Emirados Árabes anunciaram a "degradação" das relações com o Irã, convocaram o embaixador que estava em Teerã e disseram que reduzirão o número de diplomatas no país.

Os protestos iranianos ocorreram após a Arábia Saudita anunciar no sábado (2) que executou o clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma importante figura do movimento de contestação contra o regime. O Irã acusa a Arábia Saudita de agravar as tensões e os confrontos na região.

 

Bahrein acusa com frequência o Irã de estar por trás de uma insurgência xiita desde que ocorreram protestos em 2011 contra os governantes sunitas.

No domingo à noite, em um novo episódio de tensão, um grupo não identificado abriu fogo contra a polícia saudita na cidade natal do clérigo, informou a imprensa oficial da Arábia Saudita.

Execução e protestos
Entre as outras pessoas executadas junto com o clérigo estavam jihadistas sunitas acusados de ligação com a Al-Qaeda.

A execução do clérigo al-Nimr causou protestos entre os árabes xiitas e manifestantes invadiram a embaixada da Arábia Saudita em Teerã, onde 40 pessoas foram presas.

O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, considerou os ataques às representações diplomáticas "uma violação flagrante das convenções internacionais", disse o chanceler. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou que a Arábia Saudita sofrerá uma "divina vingança" pela execução.

Manifestantes protestam contra a morte do clérigo xiita Nimr al-Nimr em Bagdá no dia 4 de janeiro de 2016 (Foto: Thaier Al-Sudani/Reuters)Manifestantes protestam contra a morte do clérigo xiita Nimr al-Nimr em Bagdá nsta segunda (4) (Foto: Thaier Al-Sudani/Reuters)

Após a invasão da embaixada, diplomatas sauditas foram retirados do Irã e desembarcaram em Dubai no domingo, informou a rede de TV Al Arabiya, como parada para chegar à Arábia Saudita.

O Irã afirmou que o rompimento das relações diplomáticas decidida pela Arábia Saudita não vai apagar o "erro estratégico" da execução do clérigo xiita. "A Arábia Saudita baseia sua existência na continuidade das tensões e dos enfrentamentos, e tenta resolver seus problemas internos exportando-os ao exterior", disse Hossein Jaber Ansari, porta-voz da diplomacia iraniana.

Irmão de Nimr
O irmão de Nimr condenou os ataques contra as sedes diplomáticas sauditas e criticou o fato do clérigo ter sido enterrado em um cemitério desconhecido, segundo a France Presse. "Rejeitamos e condenamos o ataque contra as embaixadas e consulados do reino no Irã", escreveu Mohammed al-Nimr em uma mensagem em árabe no Twitter.

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Clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma importante figura do movimento de contestação contra o regime saudita, em foto de arquivo (Foto: Saudi Press Agency/ Reuters)Foto de arquivo do clérigo Nimr Baqir al-Nimr
(Foto: Saudi Press Agency/ Reuters)

Também pediu que o corpo do "mártir" seja rapidamente entregue à família para um funeral em Awamiya, sua cidade natal no leste da Arábia Saudita.

Manifestações xiitas
Os protestos contra a execução de Nimr Baqer al-Nimr e outras 46 pessoas na Arábia Saudita provocou manifestações violentas na comunidade xiita em vários países do Oriente Médio, como Irã, Iraque, Bahrein e Líbano.

De acordo com Amir Abdollahian, a Arábia Saudita "prejudicou os interesses de seu próprio povo e das populações muçulmanas da região com o complô para provocar a queda do preço do petróleo".

O Irã considera que a Arábia Saudita teve um papel primordial na queda do preço do petróleo ao manter a produção em um nível muito elevado.

As cotações do petróleo estavam elevadas nesta segunda-feira após a decisão saudita de romper relações com o Irã. As duas potências regionais também se enfrentam pelas crises na Síria, Iraque e Iêmen, com trocas de acusações sobre ambições expansionistas.

Histórico de tensões
As relações entre os dois países foram interrompidas durante quatro anos, entre 1987 e 1991, depois de confrontos violentos entre peregrinos iranianos e sauditas em Meca em 1987.

Em setembro do ano passado, a morte de pelo menos 2.236 peregrinos, incluindo 464 iranianos, em Mina, perto de Meca, aumentou a tensão entre os países.

Depois da execução do clérigo xiita e das manifestações no Irã, o governo dos Estados Unidos pediu às autoridades do Oriente Médio que adotem medidas para apaziguar a situação.

Preocupação internacional
Antes do rompimento das relações entre os dois países, os governos dos Estados Unidos, França, e Alemanha, assim como a União Europeia e a ONU, já haviam manifestado preocupação com o aumento da tensão em uma região afetada por conflitos e guerras.

Nesta segunda-feira, a Rússia se ofereceu como intermediária na disputa entre Arábia Saudita e Irã.

"A Rússia está disposta a atuar como intermediária entre Riad e Teerã", disse uma fonte do ministério das Relações Exteriores, sem entrar em detalhes sobre o papel que poderia ser desempenhado por Moscou. A França também fez um apelo aos dois países para que reduzam as tensões.

Após ser invadido e vandalizado por manifestantes, prédio da embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã, é visto com fumaça saindo das janelas (Foto: Atta Kenare / AFP)Fogo na embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã, após invasão no sábado 


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