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Emmanuel Macron e Marine Le Pen vão disputar 2º turno presidencial na França

Postado por TVKajuru.com | 23/04/2017 às 10:49h

Partidos mais tradicionais ficaram de fora. Macron é favorito na próxima votação, segundo pesquisas.

 

 

 

2º turno da eleição presidencial será disputado por Emmanuel Macron, de centro, e Marine Le Pen, da extrema-direita. François Fillon, dos republicanos, e Jean Luc Mélenchon, socialista, ficaram de fora, num resultado histórico. Às 22h30 (hora de Brasília), com 98% das urnas apuradas, Macron tem 23,86% dos votos, e Le Pen tem 21,43%. François Fillon, terceiro colocado, tem 19,94%, e já admitiu derrota. Jean-Luc Mélenchon ficou com 19,62%.

"Enquanto nosso país está passando por um momento único em sua história, marcado pelo terrorismo, os desafios econômicos e ambientais, sofrimento social, ele respondeu da forma mais bonita, votando maciçamente. Ele decidiu me colocar na liderança no primeiro turno das eleições", disse Macron a seus eleitores.

Le Pen disse a seus apoiadores que esta eleição é histórica e que a França não terá mudança com o "herdeiro de Hollande", referindo-se a Macron. Ela criticou a globalização e afirmou que é hora de os franceses se tornarem livres da elite arrogante. A sobrevivência da França está em jogo, disse, ao pedir que os "patriotas" a apoiem.

Macron é favorito para vencer Le Pen, no segundo turno em 7 de maio. Segundo a AFP, ele é apontado por duas pesquisas realizadas neste domingo à noite como o provável vencedor por ampla maioria. Em uma, ele aparece com 62% dos votos, contra 38% para Le Pen. Na outra, são 64% contra 36%.

Cerca de uma hora após o fim da votação, Fillon já havia admitido derrota e declarou apoio a Macron. Mélenchon também se pronunciou publicamente, mas explicou que aguardará a oficialização dos resultados para dar mais detalhes de seu posicionamento.

Contagem de votos em Tulle, na França (Foto: Regis Duvignau/Reuters) Contagem de votos em Tulle, na França (Foto: Regis Duvignau/Reuters)Contagem de votos em Tulle, na França (Foto: Regis Duvignau/Reuters)
 

A última vez que a esquerda deixou de ter um candidato no segundo turno foi nas eleições presidenciais de 2002, disputadas por Jacques Chirac (conservador) e Jean-Marie Le Pen (extrema direita e pai da atual candidata Marine Le Pen).

"É uma derrota moral para a esquerda", afirmou Benoît Hamon, candidato derrotado do Partido Socialista (PS), que também defendeu o voto em Macron no segundo turno.

Como informa a rede BBC, o segundo turno, que será realizado no próximo dia 7 de maio, permanece cercado de expectativa.

Isso porque o resultado pode levar ao enfraquecimento ou até mesmo ao fim da União Europeia e da zona do euro. Macron defende a permanência da França no bloco. Já Le Pen apoia o chamado Frexit -- a saída do país do mercado comum.

O tema teve destaque na campanha em meio à discussão sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da UE. A crise migratória no continente também levanta debates sobre a proteção das fronteiras. A França, juntamente com a Alemanha, é um dos países fundadores da UE e chamada de "locomotiva" da construção do bloco.

 

Campanha tumultuada

 

A campanha presidencial foi tumultuada desde o início, quando as primárias partidárias tiveram resultados inesperados, afastando os principais favoritos à presidência – o conservador ex-presidente Nicolas Sarkozy e ex-primeiro-ministro Alain Juppé (do Republicanos) e Manuel Valls (Partido Socialista).

A ascensão do movimento “En Marche!”, de Macron, e escândalos de corrupção envolvendo Marine Le Pen e François Fillon também contribuíram para tumultuar a campanha.

 

Tiroteio

 

Um dos episódios marcantes no fim da campanha eleitoral dos candidatos foi o ataque na Avenida Champs Élysées, que deixou um policial morto e dois feridos na última quinta-feira (20).

O episódio na avenida mais famosa da capital francesa colocou a segurança nacional no topo da agenda. Candidatos com pontos de vista mais duros sobre segurança e imigração, como Len Pen e Fillon, podem ter ganhado um impulso maior entre alguns grupos de eleitores.

 

Veja quem são os dois candidatos que disputarão o segundo turno:

 

 

Emmanuel Macron

 

Centrista Emmanuel Macron lançou movimento ?Em Marche!?  (Foto: Jacky Naegelen/ Reuters) Centrista Emmanuel Macron lançou movimento ?Em Marche!?  (Foto: Jacky Naegelen/ Reuters)Centrista Emmanuel Macron lançou movimento ‘Em Marche!’ (Foto: Jacky Naegelen/ Reuters)

Enquanto François Fillon sofria as consequências do escândalo envolvendo sua mulher, o centrista Emmanuel Macron, de 39 anos, surgiu como candidato que poderia derrotar Le Pen em um segundo turno.

Filhos de médicos que atuam na saúde pública, ele nasceu em Amiens, no norte da França. Trabalhou em um banco de finanças e se engajou na campanha de François Hollande em 2012. Tornou-se secretário-adjunto e, então, o ministro da Economia do governo Hollande.

É de sua autoria o projeto de lei que pretende impulsionar a economia francesa por meio de medidas como ampliação do trabalho dominical e da modificação das condições do exercício de várias profissões liberais, como os tabeliães e os oficiais auxiliares de Justiça. A “Lei Macron”, como ficou conhecida, foi implementada por decreto e provocou protestos até de integrantes do Partido Socialista. Foi a primeira vez desde 2006 que o governo driblou o legislativo para impor uma lei.

Em maio de 2016, ele lançou o movimento cidadão “En Marche!”, que tem suas iniciais, com o objetivo de “refundar” a França com o apoio popular. A saída de Macron do governo para disputar as eleições foi vista como um golpe contra Hollande.

 

Emmanuel Macron e Marine Le Pen discursam após o término da votação na França (Foto: Eric Feferberg e Alain Jocard/AFP)


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