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Mário Soares, ex-presidente de Portugal, morre aos 92 anos

Postado por TVKajuru.com | 07/01/2017 às 06:57h

Político estava internado desde 13 de dezembro

 

LISBOA — Talvez a principal maneira de se conhecer não só o legado de uma pessoa, mas também sua personalidade e caráter, seja apreender o que se disse dela, no que foi mais marcante e quais as palavras mais usadas para defini-la. No caso do português Mário Soares, impressiona a quantidade de vezes em que o citam como um dos principais defensores da democracia em Portugal. Um líder humanista que não hesitou na hora de se tornar um dos maiores combatentes, sem armas, contra a ditadura salazarista. Vigor que permaneceu durante toda a trajetória política, que o levou a ser eleito três vezes como primeiro-ministro e duas como presidente.

 

Vitalidade com a qual, mesmo em idade avançada, quase meio século após triunfar sobre o regime militar, combateu as políticas de austeridade que ameaçavam ruir com o projeto europeu pelo qual lutou. Soares morreu neste sábado, aos 92 anos, no hospital da Cruz Vermelha de Lisboa, onde estava internado desde o dia 13 de dezembro.

 

O funeral está previsto para durar três dias. Nos dois primeiros, o corpo será exposto no Mosteiro dos Jerónimos, o Panteão Nacional, para onde será levado após sair de sua casa, com uma parada na Câmara Municipal de Lisboa. Como Soares era laico, não será velado em nenhuma capela, nem haverá missa de corpo presente.

 

No terceiro dia, será realizada uma cerimônia no próprio mosteiro com a presença da família, do presidente da República, do primeiro-ministro e do presidente da Assembleia. De lá, o cortejo segue para o Cemitério dos Prazeres, passando pelo Palácio de Belém, pela Fundação Mário Soares, pela Assembleia da República e pelo Largo do Rato, onde se encontra a sede do Partido Socialista.

 

Muitos dos que conviveram com Soares ressaltam a coragem e visão do líder português, um dos maiores defensores das políticas de bem-estar social, carinhosamente chamado pelos compatriotas de “Bochecha”. Como em 2014, na ocasião em que ele completou 90 anos e o jornal português “Público” apresentou 15 depoimentos sobre o primeiro premier eleito democraticamente no país após a Revolução dos Cravos, em 1974, e o primeiro presidente civil da então jovem democracia lusitana. Soares foi consenso tanto entre os simpatizantes, quando entre opositores.

 

— Um democrata indomável. A democracia é sua grande bandeira — afirmou Artur Santos Silva, amigo e presidente da Fundação Calouste Gulbenkian. — Em relação às convicções do que deve ser a democracia, ninguém consegue domá-lo, condicioná-lo.



Fonte | O Globo

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