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Venezuelanos tomam as ruas contra o presidente Maduro

Postado por TVKajuru.com | 03/11/2016 às 10:15h

14Caracas, Venezuela – Centenas de milhares de venezuelanos vestidos de branco e cantando ¿Esse governo vai cair!¿ tomaram as ruas de Caracas para exigir um referendo para derrubar o presidente Nicolás Maduro.

Os líderes da oposição, dirigindo-se aos manifestantes reunidos na ampla via principal da capital, prometeram aumentar com uma greve geral a pressão sobre o governo de esquerda de Maduro.

¿Esse governo perdeu a coisa mais importante, e é isso que temos hoje: as pessoas¿, disse Henrique Capriles, duas vezes candidato presidencial e líder do partido Primera Justicia. ¿Senhores do governo, estamos lhes dando um prazo.¿

Milhares de manifestantes reuniram-se em várias cidades venezuelanas. Em Mérida, 73 pessoas ficaram feridas durante um confronto entre manifestantes e a polícia, disse o prefeito da cidade, Carlos Garcia. Grupos armados criados para proteger o governo também se envolveram nas brigas.

Um policial foi baleado e morto durante um protesto no Estado de Miranda, segundo o ministro do Interior, Néstor Reverol.

Os partidos de oposição disseram que, se o governo não permitir que o referendo aconteça, irão liderar uma marcha até o palácio presidencial.

O protesto foi uma poderosa demonstração de unidade da oposição, que respondeu com fúria à decisão do Conselho Eleitoral da Venezuela para suspender o processo de organização do referendo.

A decisão do conselho, que suspendeu a coleta de assinaturas dos eleitores necessárias para começar o referendo, foi uma forte ruptura com o compromisso que o governo mantinha até agora para a realização de eleições.

¿Esta é uma nova fase perigosa¿, afirma David Smilde, especialista na Venezuela da Universidade Tulane e membro do Escritório de Washington sobre América Latina.

¿Aparentemente eles veem isso como uma linha mais segura de resistência do que continuar com o referendo¿, explica.

A Assembleia Nacional liderada pela oposição aprovou o começo de um julgamento político contra Maduro, acusando-o de levar a cabo um golpe contra a constituição.

Maduro descreveu a campanha pelo referendo como um golpe contra seu governo eleito. Pesquisas mostram que uma esmagadora maioria dos venezuelanos, que estão lutando para conseguir comida e remédios em meio a uma economia em colapso, votaria pela saída de Maduro.

¿A direita não quer o diálogo, porque quer o golpe e a intervenção estrangeira”, disse Maduro para uma pequena multidão de apoiadores vestidos com camisetas vermelhas do lado de fora do palácio presidencial. ¿Mas aqui não haverá golpe nem intervenção.¿

Maduro respondeu ao ativismo da oposição com apelos para o diálogo, que os líderes da oposição acreditam ser uma tentativa de fazê-los esperar. Maduro já se encontrou com os líderes de diferentes alas do governo, que estão firmemente sob o controle de seu partido, com exceção da Assembleia Nacional.

Fotos publicadas pelo porta-voz de Maduro em uma mensagem no Twitter enfatizaram a cadeira vazia reservada para Henry Ramos Allup, presidente oposicionista da Assembleia Nacional que estava no protesto ao invés de ir ao encontro de Maduro.

¿Não vou comparecer a esse teatro, a essa farsa¿, explicou Ramos.

A oposição está unificada em torno dos protestos de rua. O desafio será ¿pegar essa onda e canalizar para um movimento sustentável nas ruas¿, afirma Smilde.

Rivalidades do passado entre líderes da oposição fazem com que hoje seja difícil formular uma estratégia única. ¿O desempenho é aquém do esperado dado o nível de descontentamento¿, diz ele.

Essa insatisfação ficou muito clara enquanto as pessoas se espalhavam pelo protesto.

¿Chega desse regime que coloca obstáculos para tudo¿, afirmou Vanessa Furtado, de 45 anos, professora do bairro pobre de Las Minas de Baruta. ¿Não temos segurança nem estabilidade econômica ou de trabalho. Maduro está com medo. A solução aqui é eleitoral, é tudo o que temos.¿

O estudante Elliot Manuel Pérez Medina ficou desapontado com a oposição, que adiou a marcha até o palácio presidencial. Enquanto falava, um grupo armado de apoiadores do governo começou a cercar as pessoas que protestavam. ¿Por que vamos conversar com pessoas que sempre colocam uma arma na nossa cabeça e querem nos reprimir?¿, perguntou.

Mas nem todo mundo que queria participar do protesto pode fazê-lo.

Miurka Castillo, de 47 anos, contou que tem convulsões. Este ano, a falta de medicamentos está tão grave que ela não consegue encontrar o remédio de que precisa. Então, passou a manhã oferecendo farinha em troca de três pílulas. ¿Ninguém queria ir mais do que eu. Preciso que esse governo saia. Acho que isso mudaria as coisas.

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